Índice indica continuidade da valorização do mercado imobiliário residencial no país, com destaque para Recife, Brasília e Curitiba.
O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), desenvolvido pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) em parceria com o FGV IBRE, registrou alta de 1,27% em janeiro de 2026. Embora inferior ao avanço de 1,52% observado em dezembro, o resultado mantém o movimento de valorização do mercado imobiliário no país. No acumulado de 12 meses, o índice passou de 18,64% para 19,67%, reforçando a trajetória de crescimento dos preços dos imóveis residenciais.
O resultado também representa a maior variação para um mês de janeiro desde 2016, indicando que o mercado imobiliário inicia 2026 ainda aquecido, sustentado por demanda consistente em grandes centros urbanos e por condições estruturais de oferta em diversas praças. IGMI-R Abecip – Janeiro 2026
A leitura regional do índice mostra, contudo, sinais de acomodação no ritmo de valorização em parte das capitais, já que seis das dez cidades analisadas apresentaram desaceleração em relação ao mês anterior.
Sudeste
No Sudeste, o comportamento foi heterogêneo. São Paulo apresentou aceleração da valorização, com alta de 1,99% no mês, frente a 1,61% em dezembro, acumulando 17,43% em 12 meses.No Rio de Janeiro, a variação praticamente zerou, passando de 0,41% para 0,02%, enquanto Belo Horizonte registrou 0,33% no mês e 20,36% em 12 meses, mantendo trajetória consistente de valorização.
Nordeste
O Nordeste apresentou resultados mais contrastantes. Recife se destacou com alta de 3,84% em janeiro, o maior resultado entre todas as capitais pesquisadas e também o maior da série histórica para a cidade, acumulando 30% em 12 meses. Já Fortaleza registrou retração de 0,17%, enquanto Salvador apresentou desaceleração, com avanço de 0,90% no mês e valorização de 23,79% em 12 meses.
Sul
Na região Sul, os resultados foram divergentes. Curitiba apresentou desaceleração, passando de 2,20% para 1,03% em janeiro, mas mantém forte valorização no acumulado anual, com 25,09% em 12 meses. Já Porto Alegre acelerou de uma taxa negativa em dezembro (-0,19%) para 1,90% em janeiro, acumulando 16,92% em 12 meses.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, Brasília registrou desaceleração relevante, passando de 2,97% para 1,68% no mês, mas ainda apresenta uma das maiores valorizações do país, com 28,96% em 12 meses. Em Goiânia, o índice manteve estabilidade, repetindo a taxa de 0,84% observada em dezembro e acumulando 12,61% em 12 meses.
Preços dos imóveis avançam mais que inflação e custos de construção
A comparação com outros indicadores reforça a força recente do mercado imobiliário. Enquanto o IGMI-R acumula alta de 19,67% em 12 meses, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 6,01% no mesmo período, indicando que a valorização dos imóveis tem sido mais influenciada pela dinâmica de oferta e demanda do que pelos custos de construção.
O movimento também se destaca em relação à inflação ao consumidor. No mesmo período, o IPCA registrou alta de 4,44%, evidenciando que os preços dos imóveis residenciais seguem trajetória própria no mercado brasileiro.
Mercado segue resiliente
De forma geral, os dados indicam que o mercado imobiliário residencial segue em ciclo consistente de valorização, apoiado por demanda persistente em polos urbanos e pelo interesse de famílias e investidores por ativos reais.
Para 2026, a evolução do índice continuará sendo influenciada pelo ambiente macroeconômico e pelas condições de crédito imobiliário, mas o desempenho de janeiro confirma a resiliência dos preços residenciais no país.
