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Crédito imobiliário cresce em 2026 e mostra que brasileiro segue em busca da casa própria

Financiamentos com recursos da poupança somaram R$ 132,5 bilhões de janeiro a agosto, alta de 37,5% em relação ao mesmo período de 2025

O crédito imobiliário segue em expansão em 2026, mesmo em um cenário ainda desafiador para quem deseja comprar a casa própria. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os financiamentos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somaram R$ 132,5 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 37,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em agosto, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança alcançaram R$ 16,97 bilhões. O volume representa alta de 46,6% em relação a agosto de 2025 e foi o terceiro melhor resultado para o mês nos últimos 25 anos. Na comparação com julho, houve queda de 19%, movimento que indica uma acomodação mensal depois de um período de forte expansão.

Na prática, os dados mostram que, apesar dos juros elevados e da maior atenção das famílias ao orçamento, a demanda por aquisição e construção de imóveis continua ativa. Para quem está planejando comprar o primeiro imóvel, o cenário reforça a importância de acompanhar as condições de financiamento, comparar alternativas e avaliar com cuidado o impacto das parcelas na renda familiar.

O número de imóveis financiados também avançou no ano. De janeiro a agosto, foram financiados 384,6 mil imóveis com recursos da poupança SBPE, alta de 35,9% em relação ao mesmo período de 2025. Somente em agosto, foram 46,8 mil imóveis financiados, crescimento de 27,5% na comparação com agosto do ano passado.

Embora agosto tenha registrado desaceleração em relação a julho, a Abecip avalia que o resultado deve ser lido como uma acomodação pontual, e não como reversão da tendência de recuperação observada em 2026. O patamar do mês permaneceu elevado na comparação anual e ficou entre os melhores desempenhos para agosto em mais de duas décadas.

Nos 12 meses encerrados em agosto, o volume financiado para aquisição e construção chegou a R$ 192,4 bilhões, crescimento de 20,2% em relação aos 12 meses anteriores. Em unidades, foram 559,2 mil imóveis financiados no mesmo intervalo, também com alta de 20,2%.

Um ponto de atenção para o mercado segue sendo a poupança, uma das principais fontes de recursos para o crédito imobiliário no país. Em agosto, a poupança SBPE registrou saída líquida de R$ 9,5 bilhões, com saques superiores aos depósitos. No acumulado de janeiro a agosto, a captação líquida ficou negativa em R$ 47,0 bilhões, ligeiramente melhor que o resultado negativo de R$ 48,3 bilhões observado no mesmo período de 2025.

Mesmo com esse desafio, o saldo da poupança SBPE chegou a R$ 757,2 bilhões em agosto. Para o setor, a dinâmica do funding segue relevante para sustentar a expansão do crédito imobiliário nos próximos anos e ampliar as alternativas disponíveis para famílias, construtoras e incorporadoras.

O que esses números significam para quem quer comprar o primeiro imóvel

Para o comprador, o avanço do crédito imobiliário indica que o mercado segue ativo e que as instituições continuam financiando a aquisição de imóveis. Isso não significa, porém, que a decisão de compra deva ser tomada sem planejamento. Em um ambiente de juros ainda elevados, é importante simular diferentes prazos, comparar o custo efetivo total das propostas, avaliar o comprometimento de renda e considerar despesas adicionais, como entrada, documentação, seguros e custos de cartório.

A compra do primeiro imóvel costuma ser uma decisão de longo prazo. Por isso, acompanhar os dados do mercado ajuda o consumidor a entender o momento do crédito, negociar melhor e escolher uma alternativa compatível com sua realidade financeira.

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