A expectativa do mercado para a inflação de 2026 voltou a cair, de acordo com o relatório Focus, em movimento que pode ajudar a melhorar a percepção sobre o ambiente econômico nos próximos meses. A mediana das projeções para o IPCA deste ano recuou de 5,30% para 5,16%, na segunda queda semanal consecutiva. Ainda assim, o índice segue 0,66 ponto percentual acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%, o que mostra que o cenário continua pressionado, mesmo com sinais recentes de desaceleração.
Para quem acompanha o mercado imobiliário, a leitura é mista. De um lado, a perda de força da inflação ajuda a reduzir incertezas e tende a favorecer decisões de consumo e investimento no médio prazo. De outro, os juros ainda permanecem em patamar elevado. A mediana do Focus para a Selic no fim de 2026 continuou em 14,00%, refletindo a avaliação de que a política monetária deve seguir restritiva por mais tempo. Na prática, isso significa crédito ainda caro e impacto direto no financiamento habitacional, fator central para quem planeja comprar o primeiro imóvel.
O dado recente do IPCA reforça essa combinação de alívio parcial com cautela. Segundo análise de Ricardo Martins, economista-chefe da Planner Investimentos, o IPCA de junho desacelerou para 0,16%, com deflação em alimentos e combustíveis, sinalizando menor disseminação das pressões de preços. Ainda assim, a manutenção da projeção de inflação acima da meta e da Selic em nível elevado indica que o Banco Central ainda vê necessidade de manter uma política monetária apertada para assegurar a convergência inflacionária.
As projeções para os próximos anos também mostram um processo gradual de acomodação, mas sem retorno imediato ao centro da meta. Para 2027, a estimativa de inflação subiu de 4,18% para 4,20%. Para 2028, permaneceu em 3,70%, enquanto para 2029 continuou em 3,50%. O Banco Central, por sua vez, trabalha com uma projeção de 5,20% para 2026, 3,70% para 2027 e 3,1% no fim de 2028, o que indica que o processo de desinflação ainda deve ser lento.
No campo da atividade econômica, o mercado manteve expectativa de crescimento moderado. A mediana para o PIB de 2026 ficou em 1,99%, próxima da projeção de 2,0% do Banco Central. Já para 2027, a estimativa caiu de 1,69% para 1,65%, sinalizando uma economia ainda em expansão, mas sem grande tração. Para o dólar, o Focus manteve a projeção de R$ 5,20 no fim de 2026, o que ajuda a indicar relativa estabilidade cambial no cenário-base.
Para quem sonha com o primeiro imóvel, o quadro exige atenção redobrada. A desaceleração da inflação é uma notícia positiva porque melhora a previsibilidade da economia e pode abrir espaço, mais adiante, para condições melhores de crédito. Mas, no curto prazo, os juros seguem altos e continuam pesando no valor das parcelas, na capacidade de financiamento e na decisão de compra. Em outras palavras, o ambiente econômico começa a dar alguns sinais de melhora, mas ainda não permite falar em alívio pleno para quem depende de crédito imobiliário.