A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o Green Building Council Brasil, a Saint-Gobain, o Secovi-SP e o SindusCon-SP promovem, no dia 6 de agosto, o fórum “Construindo Cidades Resilientes – Fórum de Desenvolvimento Imobiliário, Construção e Finanças Sustentáveis”.
O encontro será realizado na sede do Secovi-SP e faz parte da programação da São Paulo Climate Week 2026, que ocorre entre os dias 3 e 7 de agosto. A iniciativa reúne empresas, representantes do poder público, investidores, especialistas e organizações da sociedade civil para debater soluções relacionadas à transição climática.
O que são imóveis mais resilientes?
Na prática, uma edificação resiliente é aquela projetada ou adaptada para enfrentar com maior segurança situações como chuvas intensas, alagamentos, temperaturas elevadas e períodos de escassez de água.
Esse conceito envolve desde a escolha dos materiais e dos métodos construtivos até soluções de ventilação, isolamento térmico, drenagem, eficiência energética e aproveitamento de recursos naturais. O objetivo é reduzir os impactos ambientais da construção e, ao mesmo tempo, melhorar a segurança e o conforto dos moradores.
Para quem pretende comprar o primeiro imóvel, essas características podem ganhar importância crescente na avaliação de uma casa ou apartamento. Além da localização, do preço e das condições de financiamento, aspectos como consumo de energia, uso de água, conforto térmico e capacidade de adaptação às condições climáticas podem influenciar os custos de manutenção e a valorização do imóvel ao longo do tempo.
Financiamento de construções sustentáveis
Um dos principais temas do fórum será a criação de condições financeiras que permitam ampliar a construção de empreendimentos sustentáveis. Entre os assuntos previstos estão crédito climático, financiamento verde, títulos sustentáveis e modelos que combinam recursos públicos e privados.
Esses instrumentos podem ajudar construtoras e incorporadoras a financiar projetos com menor impacto ambiental, maior eficiência energética e soluções voltadas à adaptação climática.
Também será debatida a Taxonomia Sustentável Brasileira, sistema criado para estabelecer critérios e identificar atividades econômicas que contribuam efetivamente para objetivos ambientais e sociais. No setor imobiliário, essas referências podem ajudar bancos e investidores a avaliar quais projetos podem ser classificados como sustentáveis.
A discussão é relevante porque a adoção de novas tecnologias e padrões construtivos pode exigir investimentos adicionais na fase inicial do empreendimento. Por outro lado, edifícios mais eficientes podem gerar redução no consumo de água e energia e diminuir despesas ao longo de sua utilização.
Construção busca reduzir emissões
A descarbonização da construção civil também estará no centro dos debates. O processo envolve a redução das emissões de gases de efeito estufa durante a produção dos materiais, a execução das obras e a utilização dos edifícios.
Entre os caminhos avaliados pelo setor estão o uso de materiais com menor pegada de carbono, a industrialização da construção, a redução de desperdícios nos canteiros e a adoção de sistemas construtivos mais leves e eficientes.
O fórum também discutirá as oportunidades relacionadas ao Mercado Brasileiro de Carbono, que poderá estimular empresas a medir e reduzir suas emissões e a investir em projetos ambientalmente mais eficientes.
Segundo estudo citado pela Abrainc, a construção civil responde por 5,3% das emissões nacionais. Para as entidades organizadoras, essa participação cria espaço para que o Brasil desenvolva soluções urbanas que conciliem crescimento imobiliário, inovação e sustentabilidade.
Sustentabilidade pode influenciar a escolha do imóvel
A incorporação de critérios ambientais ao mercado imobiliário tende a mudar não apenas a forma de construir, mas também a maneira como os consumidores avaliam um imóvel.
Empreendimentos com bom desempenho térmico, iluminação natural, equipamentos eficientes e sistemas de redução do consumo de água podem proporcionar maior conforto e ajudar a controlar despesas recorrentes, como as contas de energia e do condomínio.
Antes de comprar, porém, o consumidor deve verificar quais soluções sustentáveis foram efetivamente implantadas, quais certificações o empreendimento possui e como os sistemas serão mantidos depois da entrega.
Também é importante analisar se as características anunciadas estão previstas no memorial descritivo e nos documentos do imóvel. Dessa forma, o comprador poderá comparar os benefícios prometidos com os custos do empreendimento e tomar uma decisão mais segura.
Ao reunir representantes da construção, do mercado imobiliário, do setor financeiro e do poder público, a São Paulo Climate Week busca aproximar a agenda ambiental das decisões práticas que influenciam o planejamento das cidades e a produção de novas moradias.
